Superação e Leitura: A Feira, a Fome e os Livros que Mudaram Minha Vida
- Dr. Elias Pereira da Silva / Elias Leon

- 30 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 10 de jan.
Aos seis anos, descobri o que é lutar pela sobrevivência. Junto com meu irmão Eliseu Pereira da Silva (In memoriam), começamos, bem cedo, a vender produtos na feira de Queimados – RJ.
Ali vendíamos bolsas de papel que ganhávamos de pessoas caridosas sensibilizadas pela nossa situação de vulnerabilidade, no supermercado Sendas (Primeiro mercado expressivo de Queimados - RJ). A princípio, era apenas uma forma de ajudar minha mãe, mas logo se tornou uma lição de vida.
Em um desses dias difíceis, encontramos gibis e livros de bolso descartados. A ideia de vendê-los foi de iniciativa do meu falecido irmão Eliseu e surgiu como uma fagulha de esperança. Éramos muito ligados e, assim, montamos um pequeno negócio totalmente informal na própria feira: trocávamos um livro por três e, com isso, começamos a construir um acervo que encantava os frequentadores daquela feira.
Apesar da pequena renda, a fome nos acompanhava durante a semana. Para complementar, começamos a vender picolés nos pontos de ônibus. Era pouco, mas aquele pequeno gesto simbolizava nossa luta para superar as adversidades. E até hoje, sinto a sensação da moeda presa ao gelo seco dentro da caixa de isopor.
A tragédia, no entanto, também fazia parte dessa jornada. Anos depois, perdi meu irmão Eliseu, que tirou a própria vida na Estação de Trens de Queimados - RJ. Sua ausência ainda ecoa em meu coração, mas sua memória me lembra da importância de continuar lutando, mesmo nos momentos mais sombrios.
Aqueles dias na feira foram o início da minha jornada de Superação e Leitura, onde aprendi que o conhecimento é a maior arma contra a vulnerabilidade.
Superação e Leitura: O Refúgio nos Livros" (Certifique-se de que esta frase esteja formatada como Título 2 no menu de estilos)
O Refúgio nos Livros
Naquela época, minha vida não incluía a escola, mas os livros que vendíamos tornaram-se meu refúgio. Ainda sem saber ler bem, ficava horas folheando as páginas, tentando decifrar as histórias que me transportavam para um universo onde a pobreza não era protagonista.

Logo, aprendi a ler por conta própria, devorando tudo o que podia: gibis, romances e até livros complexos para minha idade. Havia dias em que lia até dez pequenos livros ou gibis. Não eram apenas palavras; eram promessas de que havia algo maior esperando por mim.
A leitura me deu, não só conhecimento, mas também sonhos. Descobri que, mesmo sem recursos, a mente pode ser livre, e isso mudou minha perspectiva para sempre.
"A leitura abriu minha mente, mas eu precisava de mais: eu queria ir para a escola de verdade. Na próxima terça-feira, contarei como consegui minha primeira vaga escolar e como a limpeza da sala de aula se tornou meu degrau para o futuro."

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